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Almas

Talvez a melhor descrição do meu ano. Costumo fazer este tipo de texto no final do ano, mas nos últimos dias tenho sentido vontade de escrever sobre isto. Se olharmos para algumas serras depois do verão, de um lado temos uma serra despida, queimada, amarga... do outro um verde, esperança, crescimento... A natureza é tão incrível, cada vez mais me revejo olhando para ela e me recrio nela. Será que o crescimento exige sempre este lado amargo? Talvez não, mas faz parte. Este ano tive o pior de mim e tenho agora a melhor versão que já conheci. Foi um ano atribulado, apanhei um comboio errado... e o que custa deixar viagens a meio, sabe a desistência. Mas sabem? Posso ter desistido de algumas coisas, mas não desisti de mim, estava a perder me, o reflexo era irreconhecível no espelho. A parte mais amarga foi ter tocado numa outra alma nesta jornada que deveria ter sido exclusivamente minha. Mas já me perdoei. Por onde passamos deixamos marcas, este ano marquei pesado por onde passei, mas n...

Rebound

Cada vez gosto mais de inglês pela capacidade exploratória com que nos permeia, a nós, que gostamos de escrever. Não, ainda não sou capaz de escrever um destes textos em inglês, até porque, segundo uma amiga minha que estuda ciências da linguagem, tu tens uma personalidade para cada língua que falas, e não, nunca me expressaria da mesma forma em inglês... Acho que em nenhuma outra língua existem palavras suficientes para me aliviar o sufoco que sinto quando pego no papel e numa caneta. Voltemos à palavra do dia... Estava a ler e esta palavra surgiu na frase, com sentido de ricochete, mas conheço uma música em que esta palavra está associada a recuperação. - Recuperação - Crescimento - Recuo - Ricochete A mesma palavra em diferentes contextos, já eu, dou por mim a pensar e associo esta palavra a laços. Vamos lá explorar este pensamento... Só consigo associar esta palavra a alguém e não a alguma coisa. E vamos lá ao que me levou a escrever: ser o rebound de alguém é ser...

O Sr. Corpo

Hoje tenho de vos falar sobre o corpo. Ando a falar muito sobre o corpo ultimamente, mas hoje não é sobre quilos a mais, nem é nada relacionado com a imagem, corpo e imagem são coisas completamente diferentes. Vou vos falar de pesos e vou vos falar de saber ouvir o que temos a dizer a nós mesmos e poupar o corpo, pois só tempo um. Temos a tendência de subvalorizar ou sobrevalorizar a nossa mente e o que ela nos diz. Por vezes, até escondemos em caixinhas as nossas ideias, as nossas preocupações e os nossos medos. Mete tudo no mesmos saco e guarda, não mexe mais. Por outro lado, nada ou pouco ligamos às nossas emoções, são só emoções, voláteis, passa, o tempo cura tudo. Cura de facto, mas quanto tempo? O tempo é precioso e escasso, meus caros, é mesmo. E se nós estamos numa constante de fazer tudo o que nos dá na real gana sem ouvir a nossa cabeça e as nossas emoções, o corpo intervém. E quando o corpo intervém, ah aí, pára tudo. Não o consegues...

Felicidade ou publicidade?

Que sorriso bonito… um sorriso que reflete danos… de opressão e violência psicológica… Oi!? Sim, neste dia, esta menina, com este sorriso, tinha começado a trilhar um longo caminho para fugir de um opressor que a privou ao direito de viver fora de uma relação abusiva. Este sorriso estava completamente destruído e a alma estava desfeita, ninguém reparou, nem nesta noite, nem durante os dois anos que lhe antecedem. Este não é um texto sobre mim, não é sobre vitimas nem opressores, é sobre todos aqueles que se destroem sem ser vistos e sobre todos aqueles que não vêem. É sobre vocês, é sobre nós. Curiosos? Nós humanidade estamos em crise e nunca conseguimos ver nada quando isso acontece, as vivências sociais são cada vez mais supérfluas e desde cedo que tabletes nas mãos substituem os olhos nos olhos. Não vou, não posso criticar as tecnologias digitais, estudo para conseguir dar-lhes um propósito maior e benéfico. Mas… a socialização não pode ser feita através de e...

Não preciso de ti

- Estou a prever uma crise… - Então? - Oh, não sei, estou insegura, sei lá, o melhor é nem pensar muito, pode ser que passe. - E falares com ele e expores os teus receios, não? - Achas? Não posso, só f*do com ele, não tenho esse direito. Bem-vindos a geração que pode f*der, mas não pode demonstrar sentimentos. Há certas decisões que têm de ser tomadas e têm de o ser na altura certa. Ou vamos na onda do momento, que é relacionar-se sem se apegar e temos orgulho disso. Hoje este,  amanhã aquele... arranjo estratégias para não confundir o nome nem trocar mensagens e está tudo bem. As mensagens também não são difíceis, é o básico, vejo-te hoje? Okay ali a estas horas.  Ou então... somos nós próprios, temos sentimentos, temos medos, temos receios, demonstramos isso da melhor maneira que conseguirmos (nisso eu não sou exímia) e se isso assustar alguém ou não for de acordo com o contrato, hepa, eu não assino relações, eu vivo-as. E este tipo de "relação" (ou...

Recomeços.

As pessoas gostam de ti e esforçam se para te fazer feliz, mas há uma frase que nunca irei esquecer "a dor exige ser sentida". Ninguém te pode fazer feliz à força. Nem tu próprio. Então permite te sofrer, permite te morrer por dentro se for preciso. O tempo que for preciso. Não deixes que ninguém te diga o contrário. Que tens de falar, reagir, ser feliz. Às vezes não. Às vezes só tens mesmo de te queimar para te recriares e rescreveres. É permitido sofrer, mas não é permitido q ue sejas mau para os outros ou para ti próprio. Não arrastes ninguém para o teu sofrimento e cuida de ti. Cuida da tua saúde, da tua carreira, dos teus hobbies, faz coisas que gostes... Não te isoles, está com pessoas que te fazem bem, que marcam presença (como diz a minha melhor amiga: às vezes estou só a marcar presença porque sei que ela não está bem e não posso fazer mais nada), mesmo que o faças triste, sê honesto contigo se for isso que sentes. Depois no meio disso, redescobre sorrisos. ...

mar de rosas

Não importa quantas vezes me digam que a vida não é um mar de rosas. Não importa quantas vezes me pico nos espinhos. Vou continuar a acreditar que viver não é tão difícil assim. Basta rodearmo-nos de boas sensações. Seja um café com um amigo, um desporto que gostamos de praticar, atividades laborais que nos dêem satisfação, independentemente de serem o nosso sonho ou não. Seja lutar pelos sonhos, ou só ter. Seja o cheiro de panquecas pela manhã, uma música bonita, beijos roub ados, prazeres dados. Seja um passeio ao luar, ou uma viagem. Não é preciso muito. Basta acreditar nas pessoas e sermos bons para nós e para os outros. Não importa quantas pessoas rasas conheci na minha vida, vou continuar a acreditar que todos têm a possibilidade de florescer. A vida pode não ser um mar de rosas, mas eu irei sempre conseguir desenha-las nas ondas.