Personalidade deformada III
Dei por mim de lâmina na mão… Já não segurava em nenhuma há muito tempo… pressionei contra a pele do meu antebraço, olhei para a janela e via o por do sol, o laranja entre dois prédios que me fez divagar entre o que sentia. Tentei ouvir o meu coração. Doi. Olhar nos olhos de alguém requer uma intimidade quase impercetível, mas intensa. Olhos frios, olhar vazio. Isso doi. Olhei para o espelho à minha esquerda, o reflexo dos meus olhos refletia o mesmo vazio, a minha falta de rumo. Pressionei a lamina, o meu coração bateu, conseguia ouvi-lo. O meu olhar ganhou vida. Talvez fosse isso. Já quis apenas sentir algo, estava tão apática em relação ao mundo que me feri para sentir algo. Achei eu. Desta vez era diferente. Desta vez quis substituir uma dor por outra, achei eu. Passei o dia rodeada de dor, não a minha, o que tornou tudo pior foi sentir a dor como se fosse minha. Porque nós somos assim, queremos ser frios, calculistas, já sentimos em demasia, já deixámos de sentir, mas há um l...