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A mostrar mensagens de janeiro, 2016

Gaveta.

Tenho o cigarro entre os meus dois dedos, penso em acende-lo. Penso apenas. Eu só penso. Hoje estou melancólica, tenho aquele aperto no peito, sinto aquele sufoco que me é tão conhecido... Provavelmente adormeço a chorar e amanhã acordo com os olhos inchados para que toda a gente perceba que algo se passa. Só não percebem o quê. Eu também não percebo. Ou talvez ninguém note, também estou habituada. Que ninguém repare, estou habituada a sorrir para estranhos. Estou habituada a fingir. Finjo tanto que quando chego a estas alturas em que sou obrigada a confrontar-me comigo própria expludo. caíu uma lágrima no teclado. O que é que se passa comigo? Não sei. Porque é que eu estou triste? Não sei. Olho para a gaveta, a tal gaveta. Tenho lá aquele objeto que normalmente me ajuda a esquecer, trocar uma dor por outra. Uma delas é real, a outra não. É isso que mais me custa, se eu soubesse porque me sinto assim, poderia evitar o que me faz sentir assim, mas eu não sei....

Não me podes conhecer

Todas as pessoas opinam sobre a vida dos outros, todos fazemos juízos de valor, é impossível não o fazer. Mesmo sem sabermos aquilo pelo que as pessoas estão a passar ou passaram, julgamos de fora, e o pior é termos certezas do que é incerto. Temos de ser coerentes e conscientes, e há um ínfimo numero de pessoas que temos na nossa vida, que deveriam olhar para nós com olhos diferentes. Que deveriam ver o que os outros não vêem. Porque é que é tão difícil despirmos os nossos preconceitos!? Se há coisa que aprendi é a não ligar ao que os outros pensam de mim, à imagem pré concebida que têm nas suas cabeças, porque a minha mãe sempre me disse "Joana os de coração conhecem-te, independentemente de tudo e são esses que valem a pena. É a esses que deves ligar" Pois, mas se calhar de coração, alguns só devem estar no meu e a reciprocidade não faz nem nunca fará parte, porquê? Porque não me conheces. E se ainda não me conheces... Não vais conhecer de todo. Não há sentimento qu...

AIII

Ai, estudar psicologia deixa-me sempre de rastos. Porque desenvolvo e treino cada vez mais a minha inteligência inter e intrapessoal. Aprendo sempre mais sobre mim e sobre o outro. Aprender é bom, mas a ignorância é mais fácil, mais feliz. Não podia deixar de escrever um texto sobre esta imagem. Principalmente no que diz respeito à bipolaridade Depressão/confiança. E porquê? Porque nunca tinha olhado para as coisas dessa forma. Eu sei que a depressão é uma doença mental grave, complexa e que não se resume ao que aqui vou escrever mas... Vamos pensar um pouco... A depressão poderá realmente ser a dicotomia de confiança, ou seja, se não confias, não de dás, se não te deres a ninguém quem perde és tu. Quem não socializa és tu, quem se tranca dentro de si e da sua própria infelicidade, o que a graus superiores e num longo espaço de tempo poderá levar à depressão. Ao sentires-te abandonado, entregue aos leões sociais, sem rumo. A verdade é que temos de largar as nos...

storyteller

Vazios que não são preenchidos, todos temos. Vazios que devem ser acarinhados, não julgados, agora sei. Sabes, todos nós temos um buraco na nossa história, todos nós temos uma falha no coração. Mas não podemos viver à sombra das lacunas da nossa história. Temos de guardar os pedaços de nós que valem a pena nessa história numa caixinha, guardar, não esquecer. São esforços em vão. Guarda os teus pedaços que não te pertecem mais, não poderás dar-te a ninguém, porque terás falhas que cortam. Ter falhas não é mau. Lima-as. Torna-as suaves. Torna-te suave, estás a tornar-te, para mim. Mas eu sou uma contadora de histórias. Eu reinvento-me, eu recrio-me, eu rescrevo-me. E a contadora de histórias não morre. E esta pode ser só mais uma história inventada pela minha cabeça, aliada ao coração. Mas vale a pena ser escrita, vale a pena ser vivida. Mesmo que o fim seja o mesmo de sempre. Talvez desta vez não. Aquelas que quero escrever contigo, de ti, são boas, e eu não quero que morram...