Gaveta.
Tenho o cigarro entre os meus dois dedos, penso em acende-lo. Penso apenas. Eu só penso. Hoje estou melancólica, tenho aquele aperto no peito, sinto aquele sufoco que me é tão conhecido... Provavelmente adormeço a chorar e amanhã acordo com os olhos inchados para que toda a gente perceba que algo se passa. Só não percebem o quê. Eu também não percebo. Ou talvez ninguém note, também estou habituada. Que ninguém repare, estou habituada a sorrir para estranhos. Estou habituada a fingir. Finjo tanto que quando chego a estas alturas em que sou obrigada a confrontar-me comigo própria expludo. caíu uma lágrima no teclado. O que é que se passa comigo? Não sei. Porque é que eu estou triste? Não sei. Olho para a gaveta, a tal gaveta. Tenho lá aquele objeto que normalmente me ajuda a esquecer, trocar uma dor por outra. Uma delas é real, a outra não. É isso que mais me custa, se eu soubesse porque me sinto assim, poderia evitar o que me faz sentir assim, mas eu não sei....