Já houve momentos em que pensei escrever-te, mas a única coisa que merecias era uma folha de papel encantada, em branco, sem palavras, apenas o gesto. Nessa altura tinha tanto para te dizer, mas tudo iria parecer forçado, tudo estava manipulado, a minha ideia de ti estava minada... Eu, agora que me distanciei dessa estrada, que mudei o rumo do caminho, já consigo analisar a situação. Foi como um sonho, saltando de nuvem em nuvem, às vezes caíamos, eu olhava para ti, sorria e dizia: - Não te preocupes, nem no céu me vais perder. Mas a verdade é que... Deixaste-me fugir entre os teus dedos e as tuas mãos, outrora suaves e com o seu toque de magia, tornaram-se rudes para mim, desconhecidas, por fim, fechaste-as, libertaste-me. Eu sabia que um dia despertaria, estava encantada pela falsa realidade que criámos. Bem, sei que parte da culpa foi minha, dos muros que construí propositadamente para que os ultrapassasses… Tu ultrapassavas sempre, e eu, mais barreiras cria...