Não preciso de ti

- Estou a prever uma crise…
- Então?
- Oh, não sei, estou insegura, sei lá, o melhor é nem pensar muito, pode ser que passe.
- E falares com ele e expores os teus receios, não?
- Achas? Não posso, só f*do com ele, não tenho esse direito.
Bem-vindos a geração que pode f*der, mas não pode demonstrar sentimentos.
Há certas decisões que têm de ser tomadas e têm de o ser na altura certa. Ou vamos na onda do momento, que é relacionar-se sem se apegar e temos orgulho disso. Hoje este,  amanhã aquele... arranjo estratégias para não confundir o nome nem trocar mensagens e está tudo bem. As mensagens também não são difíceis, é o básico, vejo-te hoje? Okay ali a estas horas. 
Ou então... somos nós próprios, temos sentimentos, temos medos, temos receios, demonstramos isso da melhor maneira que conseguirmos (nisso eu não sou exímia) e se isso assustar alguém ou não for de acordo com o contrato, hepa, eu não assino relações, eu vivo-as.
E este tipo de "relação" (ou ralação) é motivo de orgulho, é mesmo. Demonstrar sentimentos é fraco, gostar de alguém é tão 2007. Para quê? Quando podemos ter o melhor sem chatices! Temos intimidade sem criar intimidade. E o sexo sem compromisso está tão banalizado que por toda a internet estão espalhadas piadas e momentos sobre isso que são motivo de orgulho para homens e mulheres.
Sexo sem compromisso não é sinónimo de comprometeres a tua integridade e a tua intimidade.
Eu acho que a lógica evoluí no sentido de… se os homens podem, porque é que eu, por ser mulher, não hei-de poder? Se eu quero eu vou lá e faço, correto? Que mal tem? Nenhum.
Parabéns à evolução e à emancipação da mulher.
Um minuto de silêncio a todos os seres humanos.
Como é que pode ser tão fácil despirmo-nos para alguém e não sermos capazes de olhar nos olhos desse alguém e dizer “Olha, preciso de ti. “
A não ser que precises de mim na tua cama, não podes precisar de mim porque não foi esse o acordo, porque as relações agora fazem-se de acordos, e fazem-se de jogos, e fazem-se de vistos e não respondidos, de lutas de ego.
É tão medíocre que dá dó.
Eu vou vos explicar uma coisa, existem pessoas como deve de ser, que se respeitam e que respeitam os sentimentos dos outros, mas também existem pessoas que não valem nada e que não têm caráter. Todos nós já tivemos os dois tipos na nossa vida. O mecanismo de defesa aí geral é tornarmo-nos iguais àqueles que nos magoaram, quando devia ser riscar da lista esse tipo de pessoas, seguir o nosso rumo a saber o tipo de pessoa que não queremos ser, porque dói e porque magoa.
Eu gosto de pessoas, porra.
Lamento informar, e se vou chocar alguém, mas eu gosto mesmo das pessoas com quem crio intimidade. Não se tem intimidade sem criá-la. E eu vou precisar dessa pessoa, e se eu tiver de lhe ligar às três da manhã a chorar porque estou com uma crise e quero ouvir a voz dela eu vou fazê-lo, sem qualquer problema. Aguenta jovem.
E se esse alguém não respeitar os meus sentimentos como respeita os meus orgasmos, eu não me vou tornar igual a ele, eu vou mandá-lo dar uma volta e dizer-lhe que não o quero do meu lado.
Seria tão simples, porque é que complicam?

Comentários

  1. Foder sem amar é como amar sem alma. Ter alma mas não sentir. Sentir mas não viver. Viver mas não ser amado. Ser amado sem foder. Foder sem ser fudido. Ser fudido mas não te vires. Vires-te mas sentires te sozinho. Sozinho e vazio.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Recomeços.

Personalidade deformada