Felicidade ou publicidade?



Que sorriso bonito… um sorriso que reflete danos… de opressão e violência psicológica… Oi!?

Sim, neste dia, esta menina, com este sorriso, tinha começado a trilhar um longo caminho para fugir de um opressor que a privou ao direito de viver fora de uma relação abusiva.

Este sorriso estava completamente destruído e a alma estava desfeita, ninguém reparou, nem nesta noite, nem durante os dois anos que lhe antecedem.

Este não é um texto sobre mim, não é sobre vitimas nem opressores, é sobre todos aqueles que se destroem sem ser vistos e sobre todos aqueles que não vêem.

É sobre vocês, é sobre nós.

Curiosos?

Nós humanidade estamos em crise e nunca conseguimos ver nada quando isso acontece, as vivências sociais são cada vez mais supérfluas e desde cedo que tabletes nas mãos substituem os olhos nos olhos. Não vou, não posso criticar as tecnologias digitais, estudo para conseguir dar-lhes um propósito maior e benéfico. Mas… a socialização não pode ser feita através de ecrãs.

Sem olhar nos olhos é difícil percebe alguém, olhar nos olhos é comunicar e é tão importante aprendermos a comunicar.

Fechar as nossas emoções em concha, torna-las nossas para nos proteger só nos torna mais vulneráveis. Somos mundos com fundos dentro de nós, e às vezes temos de ir ao fundo, e às vezes temos de por os dedos na ferida, temos de obrigar os nossos a enfrentar as feridas, porque elas saram, mas primeiro, temos de reparar que elas existem, em nós e nos outros.

Ninguém partilha cicatrizes… partilham-se sorrisos, partilham-se ilusões de felicidade, partilham-se os momentos em vez de vivê-los. Há uma falsa ilusão que seguimos os nossos amigos através das suas partilhas, mas a verdade é que estes podem estar a passar por situações dolorosas que exigem um abraço ou um aperto e não um clique.

Portanto, o que vos peço é... simples, vá… possível.

Reparem no mundo à vossa volta, nas pessoas, nos estímulos, nas energias que vos rodeiam, e mesmo que vos pareça difícil, não desistam de tentar, não desistam de estar presentes, verdadeiramente presentes na vida dos vossos, não através de gostos e aprovações, mas através de palavras de conforto, de compreensão, de um café e uma conversa atenta, que vá além dos sorrisos que todos nós colocamos para nos proteger do mundo.

O meu protegeu-me, mas quase me destruiu… E muitos sorrisos são feitos de tanta dor e nós? Nós estamos demasiado ocupados com a fotografia para reparar.

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