Almas
Talvez a melhor descrição do meu ano. Costumo fazer este tipo de texto no final do ano, mas nos últimos dias tenho sentido vontade de escrever sobre isto. Se olharmos para algumas serras depois do verão, de um lado temos uma serra despida, queimada, amarga... do outro um verde, esperança, crescimento... A natureza é tão incrível, cada vez mais me revejo olhando para ela e me recrio nela. Será que o crescimento exige sempre este lado amargo? Talvez não, mas faz parte. Este ano tive o pior de mim e tenho agora a melhor versão que já conheci. Foi um ano atribulado, apanhei um comboio errado... e o que custa deixar viagens a meio, sabe a desistência. Mas sabem? Posso ter desistido de algumas coisas, mas não desisti de mim, estava a perder me, o reflexo era irreconhecível no espelho. A parte mais amarga foi ter tocado numa outra alma nesta jornada que deveria ter sido exclusivamente minha. Mas já me perdoei. Por onde passamos deixamos marcas, este ano marquei pesado por onde passei, mas não existiu maldade em mim. O que não me faltou foi aprendizagem, aprendi a lidar com outro com mais tato humano. Descobri emoções e sentimentos que desconhecia por completo. Sei o que é um porto seguro, aquele encaixe perfeito da minha cabeça em cima de um ombro que me faz esquecer o mundo. Sei o que é ter responsabilidades com seres vivos e dizer "hj não, tenho de tomar conta delas". Sei o que não quero a nível profissional, o que quero? Isso são outros 500, mas ainda são só 24 aninhos. Obrigada 23, foram inesquecíveis.
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