Uma bagagem pesada

Aquilo que ninguém nos conta quando nos dizem "vai passar" ou "tudo passa" é que, de facto, tudo acaba.


A dor vai e não volta a ser mesma, mas dificilmente voltamos também a sentir o mesmo. E está tudo bem. Não me interpretes mal, mas o sofrimento é do tamanho da maturidade do sentimento que o causou. A cada novo sentimento, nova dor, a cada nova dor, novo e amadurecido sentimento. Entendes?


Não sei se acho triste ou bonito.


Por um lado, pensar que não voltamos a sentir daquela maneira, é que mesmo que a pessoa retorne, o sentimento não tem essa capacidade, de se encurtar para voltar a caber naquilo que já cresceu. Por outro lado, pensar que a dor é tão única como o (des)amor, que pertence a cada um e a cada história. É ou não é bonito?


Mais ainda, é importante reconhecê-la como única e encarar de frente essa bagagem, sentir a sua complexidade e olhar para o seu tamanho antes de nos exigirmos, ou ao outro, aquilo que pode não ter espaço para existir. Acredita, essa falta de espaço pode dever-se apenas à desarrumação. Se temos bagagem assim tão pesada, está na altura de investirmos algum tempo a desfazê-la e voltar a arrumar, não achas?

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