A decisão
Envolveu-me num abraço e eu não senti nada.
Foi nesse momento que percebi que o meu Porto seguro, - feito de egoísmo, verdade seja dita - ruiu.
Agarrei-me a mim e, enquanto sentia as lágrimas frias a cair-me no colo, pensei em como dói perder quem se ama, mesmo que ainda seja só um projeto de amor, uma hipótese em cima da mesa.
Ainda ontem discutíamos sobre a maldade, se conta mais a intenção ou a ação, eu que sou mais "kantiana", ouvir que de boas intenções está o inferno cheio, imaginem, mas foi bonita a discussão, acreditem. É o que me custa, é que eu alimento-me desta estimulação, mas uma relação não. E Já não sobra intimidade para reverter a situação, e hoje, timidamente, quando lhe pedi que saísse, só pensei, minha querida Centeio, eu protegi-te em vida e tu proteges-me na tua morte, empurrando-me para uma decisão que estava tomada há muito tempo, mas sem coragem de se fazer sentir.
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