Girassol

Apreciava-o enquanto se vestia, manteve-se em tronco nu e acendeu um cigarro à janela. 
Espreitei lá para fora e vi os altos girassóis olharem para mim, virei-me para eles como se fosse o sol e alimentei-lhes a beleza enquanto sentia os lençóis, ainda quentes, na pele desnuda.
Voltei-me para ele novamente, à medida que os seus olhos me percorriam eu senti que ele sabia-me completamente nua, mais do que tirar-me a roupa, soube despir me de mim, pouco a pouco. Medos, preconceitos e julgamentos foram arrancadas por mãos ardilosas.
Sempre soube que quem soubesse plantar e trabalhar a terra, saberia nutrir-me o corpo, nunca pensei que também fosse capaz de me alimentar a alma.
Olhei para os girassóis uma última vez, "é bonito o que tu plantas", disse-lhe.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Não preciso de ti

Recomeços.

Personalidade deformada