A última carta

Já não está aqui em questão o sentimento, eu de facto gostei muito de ti. Suportei muita coisa ao longo destes anos, agarrei-me sempre à esperança que pudesses vir a gostar de mim, agora sei que gostas. Agora agarro-me à esperança de que melhores, sei que não estás bem e se não estás bem não consegues estar bem com ninguém. Tu tens boa índole. Passei momentos únicos contigo, quando estamos juntos, os teus gestos de carinho aquecem-me a alma, não só o corpo. É difícil de encontrar alguém que mexa connosco como tu mexeste comigo. Fizeste-me acreditar na palavra amor. E eu acreditei.
Agora não acredito mais. Não na tua boca. Eu inventei uma pessoa na minha cabeça, um homem que não existe e projetei-o em ti. Projetei uma vida com esse homem e agarrei-me a essa ilusão… E fiquei obcecada.
Esta é a verdade, eu sou completamente obcecada por tudo o que projetei em ti. Mas não é real. Se me perguntarem porque contínuo a insistir em ti, se me perguntarem porque é que eu gosto de ti, sabes qual é a minha resposta? "Não sei".
Se deixar que isto perpetue eu vou me destruir. Quase rompi a minha autoestima, deixei de ter vontade própria... sem ti... Permiti que o meu mundo gira-se à tua volta, como se fosses o único capaz de me fazer feliz. Mas eu não sou feliz. Sinto-me miserável, não me sinto, não sei quem está no espelho a olhar para mim. Não me reconheço. Isto está errado, muito errado. Eu tenho pessoas que me amam, que se preocupam comigo, que me querem ver bem e fazer feliz e fecho-lhes a porta por causa de uma vida idealizada a teu lado. Mas que vida é essa? Não é. 
Tu próprio já admitiste isto e eu chorei, chorei por saber que tinhas razão, por saber que não me mereces. Nesse dia devia ter me ido embora. Mas é aqui que entra a doença, fiquei. Fiquei porque quis, porque acreditei que as coisas iam mudar, melhorar, que ia ser feliz. Nós temos que assumir a verdade. Não conseguimos. Não fomos feitos um para o outro. A nossa história está repleta de mágoa, raiva e sofrimento, que amor é este? Não é. Tentámos encaixar-nos um no outro, sabendo de antemão que somos peças de puzzles diferentes e eu estraguei-me ao tentar encaixar em ti. Esta foi uma decisão difícil na minha vida. Mas é isso que está em questão, a minha vida. Eu estou a morrer por dentro com uma vida para viver pela frente. Não leves a mal, eu não te quero mais e estou a chorar enquanto escrevo isto. Porque dói, dói como tudo.  Eu tenho de desistir de ti, por mim.

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