06/08/15 #

Segurou o peito como quem segura um passarinho caído do ninho, com delicadeza para não o magoar ainda mais, mas com a firmeza suficiente para que ele não salte e esperneie com ânsias de tentar voar.
Pois o coração é isso mesmo, um eterno sonhador que tenta voar, mesmo magoado, e acaba a cair no chão, estilhaçado.
Olhou em frente e viu as luzes da cidade, fechou os olhos e viu cada pedaço seu.
Cerrou o punho até sentir as unhas cravadas na palma da mão, abriu, soprou.
Imaginou o pó de que é feita a alma voar, livre.
E desejou por tudo poder desfazer-se assim com tanta facilidade, mas é assim mesmo, enquanto a alma se desfaz, o corpo fica e segue sempre caminho sozinho.
O corpo.
Apenas o corpo.
Talvez seja por isso, o vazio, porque o tens, mas vais deixando um pedaço de ti em todos os locais que te são importantes, desgastando mais um pouco.
Ficando apenas…
Um corpo.
Tão pouco.

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