Gaveta.

Tenho o cigarro entre os meus dois dedos, penso em acende-lo.
Penso apenas.
Eu só penso.
Hoje estou melancólica, tenho aquele aperto no peito, sinto aquele sufoco que me é tão conhecido...
Provavelmente adormeço a chorar e amanhã acordo com os olhos inchados para que toda a gente perceba que algo se passa.
Só não percebem o quê.
Eu também não percebo.
Ou talvez ninguém note, também estou habituada. Que ninguém repare, estou habituada a sorrir para estranhos. Estou habituada a fingir.
Finjo tanto que quando chego a estas alturas em que sou obrigada a confrontar-me comigo própria expludo.
caíu uma lágrima no teclado.
O que é que se passa comigo? Não sei.
Porque é que eu estou triste? Não sei.
Olho para a gaveta, a tal gaveta. Tenho lá aquele objeto que normalmente me ajuda a esquecer, trocar uma dor por outra.
Uma delas é real, a outra não.
É isso que mais me custa, se eu soubesse porque me sinto assim, poderia evitar o que me faz sentir assim, mas eu não sei.
O que posso fazer?
Nunca sei o que fazer.
Nunca sei o que quero.
Não consigo escrever mais, sou impulsiva, estou compulsiva. Sou compulsivamente uma rapariga. 
Sinto as lágrimas quentes a escorrerem pela minha face, parece carinho.
Não apazigua nada.
A gaveta...
Não posso.
Vou acender o cigarro.
Amanhã é outro dia.

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