Ele sentiu passar por si um vulto que se dirigiu ao sofá e sentou-se abraçada aos joelhos, balançou se sobre o seu corpo, com o mesmo olhar vazio que reflectia a sua alma rasgada. Já passou uma semana desde que lhe bateu à porta, com os olhos já queimados do sal e rouca de tanto berrar a agonia de seu choro incessante. Estava cada vez pior, magra, cara encovada, olheiras negras, nem uma palavra desde a madrugada em que decidiu, mais uma vez, de forma egoísta, cair com a cara no seu peito, em vez de se despedaçar no chão. Ele só a abraçou, e conseguiu fazê-la sentir, embora sem o próprio saber, como só ele sabe, segura, agarrava-a como se sentisse a sua alma realmente desfeita e quisesse segurar todos os pedaços para que ela não se fraccionasse. Na janela, a oeste, já se podia ver o sol na linha que separa a terra do céu, a sua cor alaranjada estava reflectida nas nuvens à sua volta. -Fiz te canja, come por favor. Ela olhou para ele, como sinal de agradecimento, sem um...
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