vivências


Só porque não deixou cicatriz, não significa que não marcou.
Tudo faz parte de nós, assim como as feridas nas mãos, das quedas de joelho marcavam os melhores jogos da apanhada com os amigos, as feridas da alma marcam uma pessoa que passou na nossa vida e fez diferença. Cada um tem de dar o significado à dor como quiser, eu prefiro vê-la como o reflexo dum sorriso que cessou, um sentimento que esfriou, um coração que se apertou, parou, estabilizou... Depois existem aquelas quedas que deixam cicatriz, e assim como aprendemos a não descer aceleradamente sem as mãos no volante da bicicleta, quando ficamos com uma cicatriz no nosso ser, só significa uma coisa, aprendizagem, algo nos fez crescer.
Mas a dor é apenas algo que faz parte da sensibilidade humana, e precisa de ser sentida, assim como o prazer. A tristeza ou a felicidade, são conceitos diferentes, dos quais não me apetece alongar, é um pouco mais complexo.
A essência é o importante, cada pessoa tem a sua, bela ou feia, são opiniões, talvez versões... A essência não muda, eu sei... Mas a maneira de a mostrar sim, as pessoas tem muitas facetas, acreditem, exploram, reprimem, expressam...
Sentem, guardam, acumulam, explodem.
E este sempre foi um ciclo, até ter percebido que o ser humano é um ser delicado, com um feitio especializado e uma essência turbulenta.
Sentir não é pecado. Sentimentos, ninguém lhes escapa, sentimentalismos não mordem. E quando encontrei alguém com quem pudesse ser eu, o ciclo vicioso mudou, sinto, expresso, se explodir, não cria mazelas, só estremece o coração.
Sorte daquele que consegue arranjar alguém com quem sentir picos de intensidade e ao mesmo tempo manter um equilíbrio, sorte daquele que encontra a sua estabilidade, mesmo passando pelo momento mais doloroso da sua vida, sorte daquele que sabe preocupar-se, não só com aqueles que fazem parte de si, mas também com os que fazem parte dos que fazem parte de si, sorte daquele que sorri, conhecendo o gosto das próprias lágrimas. Sorte daquele que explica todas as suas loucuras, amarguras, aventuras e desventuras assim:
-eu experienciei os ventos da vida para me construir, para me desenvolver pessoalmente e estar preparada para a rajada de vento que me impulsionou a começar a viver realmente.

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