-Tu é a pessoa mais intensa que eu alguma vez conheci. Isso tanto é bom como mau, mas tu já sabes. Passei estes anos à procura de uma mulher com a mesma intensidade, loucura e ao mesmo tempo, pureza que tu tens. És tão… Cristalina, talvez seja a palavra certa, descobri, da pior maneira, que nunca irei encontrar ninguém como tu. Nunca te esqueci, acredita, mas sei que te perdi, quem tu eras, já não és, nem nunca serás… Ouvir-te falar, ver-te, sentir-te, só me apetece agarrar-te, segurar-te, engolir-te, mas ia sentir-me tão frustrado, pois a única maneira que tenho de te manter, como eu te amei, é aqui – largou uma mão dela e cerrou um punho junto do seu coração – de onde nunca saíste, nem nunca sairás. Um dia contar-me-ás tudo aquilo porque passaste, hoje não, vejo nos teus olhos que é muito cedo, se algum dia conseguires expor a tua alma a um velho amante que sempre te amará, então o destino fará com que nos encontremos de novo, acredita. -
Dito isto ele levantou-se, nem bebeu o seu café que no meio de todo aquele momento esfriou. Beijou-a na testa, nesse instante passou-lhe tudo pela cabeça. Todas as discussões, todos os momentos, todos os toques no joelho como pedido de desculpa, toda a intimidade, todos os puxões de cabelo que durante o êxtase nem se sentiram, todos os silêncios constrangedores, todos os beijos que a deixaram sem fôlego, todas as despedidas, todas as reconciliações... Foi então que tudo parou. Ficou negro e, tão rápido como o sopro do vento, ele desapareceu. Já não estava ali, nem chegou a roubar-lhe um último beijo antes de virar costas e fugir. Acho que tudo aquilo que passou na cabeça dela também passou na dele. Ambos têm consciência mas ele é mais corajoso, mais forte. Sabe que aquilo que estão a fazer um com o outro é errado. É uma bola de neve cada vez maior cada vez mais penosa. Ele teve a vontade de a travar. Ela ficou simplesmente a olhar.
Uma lágrima escorreu dos seus olhos e, como uma carícia, percorreu o seu rosto até chegar aos seus lábios. Com o sabor do sal veio o sabor amargo da verdade. Ele fora-se, outra vez.
Nem sequer olhou, virou costas e seguiu com uma passada longa e pausada, não olhou uma única vez para trás.
Ela tinha agora o seu olhar focado no horizonte, naquele momento não existiu nada, só ela e ele, criou-se mais um silêncio inquebrável de reflexão para ela.
Não porque ninguém o quebrasse, tentaram chamar a sua atenção várias vezes, embora sem sucesso, ela estava completamente fora dali, noutro tempo, revivia o passado verdadeiramente e nada a acordava a não ser a saturação infernal que é para ela própria reviver os seus momentos.
Dito isto ele levantou-se, nem bebeu o seu café que no meio de todo aquele momento esfriou. Beijou-a na testa, nesse instante passou-lhe tudo pela cabeça. Todas as discussões, todos os momentos, todos os toques no joelho como pedido de desculpa, toda a intimidade, todos os puxões de cabelo que durante o êxtase nem se sentiram, todos os silêncios constrangedores, todos os beijos que a deixaram sem fôlego, todas as despedidas, todas as reconciliações... Foi então que tudo parou. Ficou negro e, tão rápido como o sopro do vento, ele desapareceu. Já não estava ali, nem chegou a roubar-lhe um último beijo antes de virar costas e fugir. Acho que tudo aquilo que passou na cabeça dela também passou na dele. Ambos têm consciência mas ele é mais corajoso, mais forte. Sabe que aquilo que estão a fazer um com o outro é errado. É uma bola de neve cada vez maior cada vez mais penosa. Ele teve a vontade de a travar. Ela ficou simplesmente a olhar.
Uma lágrima escorreu dos seus olhos e, como uma carícia, percorreu o seu rosto até chegar aos seus lábios. Com o sabor do sal veio o sabor amargo da verdade. Ele fora-se, outra vez.
Nem sequer olhou, virou costas e seguiu com uma passada longa e pausada, não olhou uma única vez para trás.
Ela tinha agora o seu olhar focado no horizonte, naquele momento não existiu nada, só ela e ele, criou-se mais um silêncio inquebrável de reflexão para ela.
Não porque ninguém o quebrasse, tentaram chamar a sua atenção várias vezes, embora sem sucesso, ela estava completamente fora dali, noutro tempo, revivia o passado verdadeiramente e nada a acordava a não ser a saturação infernal que é para ela própria reviver os seus momentos.
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