- Estou a prever uma crise… - Então? - Oh, não sei, estou insegura, sei lá, o melhor é nem pensar muito, pode ser que passe. - E falares com ele e expores os teus receios, não? - Achas? Não posso, só f*do com ele, não tenho esse direito. Bem-vindos a geração que pode f*der, mas não pode demonstrar sentimentos. Há certas decisões que têm de ser tomadas e têm de o ser na altura certa. Ou vamos na onda do momento, que é relacionar-se sem se apegar e temos orgulho disso. Hoje este, amanhã aquele... arranjo estratégias para não confundir o nome nem trocar mensagens e está tudo bem. As mensagens também não são difíceis, é o básico, vejo-te hoje? Okay ali a estas horas. Ou então... somos nós próprios, temos sentimentos, temos medos, temos receios, demonstramos isso da melhor maneira que conseguirmos (nisso eu não sou exímia) e se isso assustar alguém ou não for de acordo com o contrato, hepa, eu não assino relações, eu vivo-as. E este tipo de "relação" (ou...
As pessoas gostam de ti e esforçam se para te fazer feliz, mas há uma frase que nunca irei esquecer "a dor exige ser sentida". Ninguém te pode fazer feliz à força. Nem tu próprio. Então permite te sofrer, permite te morrer por dentro se for preciso. O tempo que for preciso. Não deixes que ninguém te diga o contrário. Que tens de falar, reagir, ser feliz. Às vezes não. Às vezes só tens mesmo de te queimar para te recriares e rescreveres. É permitido sofrer, mas não é permitido q ue sejas mau para os outros ou para ti próprio. Não arrastes ninguém para o teu sofrimento e cuida de ti. Cuida da tua saúde, da tua carreira, dos teus hobbies, faz coisas que gostes... Não te isoles, está com pessoas que te fazem bem, que marcam presença (como diz a minha melhor amiga: às vezes estou só a marcar presença porque sei que ela não está bem e não posso fazer mais nada), mesmo que o faças triste, sê honesto contigo se for isso que sentes. Depois no meio disso, redescobre sorrisos. ...
Ele sentiu passar por si um vulto que se dirigiu ao sofá e sentou-se abraçada aos joelhos, balançou se sobre o seu corpo, com o mesmo olhar vazio que reflectia a sua alma rasgada. Já passou uma semana desde que lhe bateu à porta, com os olhos já queimados do sal e rouca de tanto berrar a agonia de seu choro incessante. Estava cada vez pior, magra, cara encovada, olheiras negras, nem uma palavra desde a madrugada em que decidiu, mais uma vez, de forma egoísta, cair com a cara no seu peito, em vez de se despedaçar no chão. Ele só a abraçou, e conseguiu fazê-la sentir, embora sem o próprio saber, como só ele sabe, segura, agarrava-a como se sentisse a sua alma realmente desfeita e quisesse segurar todos os pedaços para que ela não se fraccionasse. Na janela, a oeste, já se podia ver o sol na linha que separa a terra do céu, a sua cor alaranjada estava reflectida nas nuvens à sua volta. -Fiz te canja, come por favor. Ela olhou para ele, como sinal de agradecimento, sem um...
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