Analepses
Já houve momentos em que pensei escrever-te, mas a única
coisa que merecias era uma folha de papel encantada, em branco, sem palavras,
apenas o gesto.
Nessa altura tinha tanto para te dizer, mas tudo iria
parecer forçado, tudo estava manipulado, a minha ideia de ti estava minada...
Eu, agora que me distanciei dessa estrada, que mudei o
rumo do caminho, já consigo analisar a situação. Foi como um sonho,
saltando de nuvem em nuvem, às vezes caíamos, eu olhava para ti, sorria e
dizia:
- Não te preocupes, nem no céu me vais perder.
Mas a verdade é que... Deixaste-me fugir entre os teus dedos e as tuas mãos, outrora suaves e com o seu toque de magia, tornaram-se rudes para mim, desconhecidas, por fim, fechaste-as, libertaste-me.
Eu sabia que um dia despertaria, estava encantada pela
falsa realidade que criámos.
Bem, sei que parte da culpa foi minha, dos muros que construí propositadamente para que os ultrapassasses…
Tu ultrapassavas sempre, e eu, mais barreiras criava...
Esse foi o teu erro, achares que era uma princesa que
podias resgatar, salvar, curar e que te iria pertencer para sempre.
E eu… não fui, não sou, nem nunca serei a tua princesa,
mas deixo-te sempre quebrares as barreiras, alcançares-me… Só para me perderes
novamente.
Como se te quisesse dar uma lição, fazer te entender o quanto é errado amar o livre, porque o livre é selvagem, o selvagem está ferido, e só o livre o pode curar...
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